Raça desembarca novamente nos Estados Unidos

Depois do sucesso da passagem de SJ Rodopio e Alma de Gato Cala Bassa pelos Estados Unidos, mais dois cavalos Crioulos chegaram ao hemisfério norte mostrando todo o potencial da raça nas Rédeas. Em abril deste ano, Fogo de Chão do Capão Redondo e Loco de Bueno Mapocho embarcaram rumo à terra do cowboy, onde foram treinar para competir nas maiores provas da modalidade no mundo.

A ideia de investir na modalidade surgiu da amizade entre o treinador e competidor de Rédeas Gabriel Diano e criadores como o técnico da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) Rodrigo Py. Diano, que até 2011 mantinha um centro de treinamento em Porto Alegre, decidiu se mudar no ano passado para a América do Norte e desenvolver o seu trabalho lá. Antes de ir, porém, fez um pedido ao amigo.

“O Gabriel gostava muito do VB Eldorado Dragão e sempre me pediu um outro filho do Buenacho 04 do HV. Antes de ele ir embora a gente combinou que eu escolheria um potro e ele testaria. No final de 2011 escolhi o cavalo e mandei para a doma com o Rodrigo Nieves, que trabalhava com ele aqui, e em dezembro do ano passado o Gabriel veio, testou ele, e gostou”, conta o técnico.

Py conta que o cavaleiro e o próprio domador ficaram com uma boa impressão de Fogo de Chão do Capão Redondo e fizeram uma avaliação positiva, projetando a ele um bom futuro na modalidade. Nieves classificou o cavalo como habilidoso, de boa índole e temperamento além de muita facilidade nos movimentos. “Sabemos que não é matemática, mas eu procurei escolher geneticamente um animal que mostrasse isso. A mãe dele é de origem Chingorioli e eu acreditava que essa combinação daria certo”, diz Py.

O animal foi vendido ao criador brasileiro João Marcos Arruda Pires, que atualmente reside nos EUA onde mantém um criatório. Fogo de Chão se juntou aos outros Crioulos levados por Pires para a Cabana Cardinal, estabelecida na cidade de Ocala, estado da Flórida, onde instituiu recentemente a Associação Americana de Criadores de Cavalos Crioulos. O cavalo foi treinado para disputar o próximo NRHA Futurity no fim deste ano.

No caso de Loco de Bueno, a sugestão partiu dos próprios treinadores. Diano e Nieves indicaram o animal a Pires que fechou a negociação com o então proprietário Luiz Fernando Simas. O cavalo tordilho, filho de BT Guzman, é um pouco mais experiente do que Fogo de Chão e já tem no currículo um bom resultado no Potro do Futuro, montado por Rodrigo Nieves. Nos Estados Unidos, o animal, de propriedade da Cabanha Cardinal foi classificado para a final do Derby NRHA 2013, evento que reúne os melhores animais para provas de rédea, e ainda encerrou a competição como Top Ten na categoria Level 2.

Diano diz apostar bastante no projeto e reforça os elogios aos animais. “Este projeto é um sonho no qual acreditamos junto com os criadores e que hoje se torna realidade, nas aquisições da Cardinal. A nossa ideia é competir nas principais provas de Rédeas do mundo”, comenta.

De acordo com o selecionador sediado nos Estados Unidos, a iniciativa pretende ampliar a visibilidade da raça no país assim como a sua participação em diferentes modalidades, nas principais provas do mundo. O criador acrescenta ainda que futuramente deverá voltar a levar animais brasileiros para a América do Norte.

“Queremos apresentar o Crioulo como um cavalo potencialmente capaz de grande beleza e pronto para grandes desafios. Hoje temos dois animais disputando o campeonato nacional de Cowboy Mounted Shooting e com essas aquisições passamos também a disputar provas na modalidade Rédeas. A sequência deste projeto será seguir importando matrizes e animais para competir não só nessas mas também em outras provas”, diz Pires.

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